24 de dezembro de 2013

No registro da Aeronáutica, cirurgia capilar de Renan foi evento de serviço

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Ao ceder um jato para que Renan Calheiros voasse de Brasília para Recife na última quarta-feira (18), a Força Aérea Brasileira imaginou que transportava o presidente do Congresso Nacional para um compromisso oficial, não para uma cirurgia de implante capilar.
No registro do Comando da Aeronáutica, está escrito que Renan viajou a “serviço”. O jato que o conduziu decolou às 22h15, no horário de Brasília. E pousou às 23h30, no horário local da capital pernambucana. Havia quatro passageiros a bordo. A FAB não informa os nomes dos três acompanhantes de Renan.
Armazenados no Comando da Aeronáutica, órgão do Ministério da Defesa, os dados da FAB não ornam com os fatos. Em verdade, Renan voou para Recife porque faria no dia seguinte, quinta-feira (19), uma cirurgia para implantar 10 mil fios de cabelo.
Na pasta da Defesa, atribui-se ao Senado a responsabilidade pelo registro equivocado. Partiu do gabinete de Renan a informação de que a viagem seria de trabalho. Ouvida, a assessoria do presidente do Senado eximiu-o de responsabilidade. Disse que “é praxe” do gabinete anotar nos ofícios remetidos à FAB que o senador viaja “a serviço”.
O uso de jatos da FAB por autoridades como ministros e os presidentes do Legislativo está regulamentado num decreto presidencial editado em 2002, sob Fernando Henrique Cardoso. Prevê que as aeronaves poderão ser requisitadas em três situações: por motivo de segurança e emergência médica; em viagens a serviço; e nos deslocamentos para o local de residência permanente.
A viagem de Renan não se encaixa em nenhuma das possibilidades. Implante capilar é cirurgia estética, não emergência médica. A agenda daquela quarta-feira previa dois compromissos: às 14h45, Renan recebeu familiares do ex-presidente João Goulart. Às 15h, comandou a sessão que restituiu simbolicamente o mandato a Goulart. Quanto à residência, a de Renan fica em Maceió, não em Recife.

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