6 de setembro de 2012

Vale tudo entre 4 paredes?


A sexualidade é algo muito natural e está presente na vida dos seres humanos desde bem cedo. Com o passar do tempo, ela ganha contornos adultos, resultando na sexualidade que conhecemos quando amadurecemos.
Na infância, isso está relacionado ao simples prazer corporal, sem qualquer conotação com a sexualidade erotizada adulta. Ainda antes do final da infância, as crianças surgem com suas curiosidades, exploram as diferenças e descobrem tanto o 

seu corpo quanto o do outro, e assim já aprendem a tirar sensações do próprio corpo. Já na adolescência, ela está relacionada às primeiras experiências e descobertas, ainda mais complexas e elaboradas. Desse período em diante um longo caminho será percorrido até que a sexualidade de cada um se defina e se solidifique, alcançando a sofisticação adulta. 

Atingida a fase adulta, encontraremos infinitas variações e formas de cada um lidar com a própria sexualidade. As influências que geram o resultado final dessa complexa equação são muitas. Desde como viveram a sexualidade inicialmente, até influências familiares, culturais, religiosas, passando por traços de personalidade, escolha dos parceiros, experiências positivas ou negativas e assim por diante. 

Apesar da imensa variedade, existem certos tipos de comportamentos sexuais que são considerados mais comuns. Os criativos são aqueles que fogem da rotina, explorando possibilidades com seus parceiros, e que não apreciam repetição. Os românticos seriam os que precisam de calma, preliminares amorosas, precisam ter o seu tempo e o momento respeitados para que sintam acolhidos e realizados. Os passivos ficam à espera da manifestação do parceiro, mas, uma vez iniciado o ato sexual, podem tornar-se ativos e enérgicos. Existem aqueles fantasiosos, que fazem um uso maior de seus recursos mentais para imaginar cenários, lugares, personagens... Enfim, diversas fantasias sexuais. Existem os que são uma combinação de dois ou mais perfis, assim como existem outros que não foram citados, que seriam desdobramentos dos principais. 

Cada leitor poderá se identificar com as características descritas, assim como imaginar que existem muitas outras. O que queremos nesse artigo é mostrar que não existe um único jeito ou forma correta de ser, agir e pensar o sexo. Ele é tão variado quanto o comportamento humano, tão complexo quanto as emoções humanas e tão certo de existir quanto o ar que respiramos. Acontece que muitos se sentem na obrigação de ser como idealizam, como acreditam que o parceiro espera, como aprendeu ao longo da vida que deveria ser. Ao agir assim, corre-se o risco de perder a naturalidade, a espontaneidade e o sexo pode virar mais um desafio do que um prazer. 

É comum que alguns casais experimentem, inicialmente, um certo desencontro nesse assunto. Acontece em especial com pessoas que estejam presas a certas convicções, como as descritas acima. São pessoas inseguras que não se permitem viver o sexo como sabem, podem ou querem. Acreditam que é necessário se encaixar no que o outro espera e, ao invés de ter um momento de profunda alegria e prazer, acabam vivendo momentos de apreensão ou desconforto. 
Em razão disso tudo é importante que, como em qualquer outro assunto, o diálogo também esteja presente quando o tema for sexo. Não existem regras, apenas a necessidade em ouvir, falar, trocar e encontrar um meio para que os dois obtenham o máximo de alegria, conforto e prazer. Se o outro não compreendeu o que importa para você ou o que a deixa satisfeita, mostre, diga calmamente, sem raiva por ele não ter conseguido antecipar ou sem ressentimento por não ter percebido por conta própria. O ser humano é uma eterna caixa de surpresas e se nós mesmos nem sempre nos conhecemos tão bem e passamos a vida mudando, transformando e querendo coisas diferentes, não podemos assumir que o outro saberá o que pensamos. O sexo é algo que deve ser vivido com leveza e prazer, e por isso precisa ser cuidado com igual respeito e atenção que damos aos outros temas que compõem nossa vida. 

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