15 de outubro de 2012

Aluno que entrar pela lei das cotas terá aulas de reforço, diz Mercadante


O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou nesta segunda-feira (15) que o ministério vai criar um programa nacional para capacitar os alunos cotistas que ingressarem nas universidades federais. Segundo Mercadante, o objetivo do programa nacional será sanar deficiências dos alunos de escolas públicas e deve ser implementado em 2013.
“Eles vão ter que ter uma tutoria, muita gente vai ter que ter cursos especiais para melhorar o desempenho e garantir não só que eles entrem, mas que se formem com os demais estudantes", explicou Mercadante, citando como exemplo aulas de cálculo para estuantes aprovados em cursos que utilizem muita matemática. "Eles vão ter que estudar muito. Mas eles têm uma oportunidade."
Ministro da Educação, Aloizio Mercadante (Foto: reprodução Globo News)
Ministro da Educação, Aloizio MercadanteSegundo o ministro, esta capacitação deverá ser promovida pelas universidades, com professores ou alunos de pós-graduação. "Estes alunos (cotistas) vão precisar de acompanhamento no início do curso. Quando entrar na universidade vai haver um tutor ou aluno de pós para acompanhá-lo e corrigir essa dificuldade. Ou então eles poderão fazer um curso de nivelamento."
O governo federal publicou nesta segunda, no "Diário Oficial da União", o decreto que regulamenta a lei que garante a reserva de 50% das vagas nas universidades federais, em um prazo progressivo de até quatro anos, para estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas. O critério de seleção será feito de acordo com o resultado dos estudantes no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). O decreto é assinado pela presidente Dilma Rousseff.
De acordo com o ministro, alunos bolsistas da pós-graduação ou mesmo professores devem ser deslocados para serem tutores dos cotistas. “Vamos ter uma política de acolhimento dos cotistas, de tutoria. Ajudar a reforçar o que é necessário [em cada aluno]”, disse.
Para Mercadante, o exemplo do Prouni mostrou que, ao contrário do que diziam, os alunos do programa tiveram desempenho, em geral, superior aos dos estudantes de escolas particulares. "Somos o último país das Américas a abolir a escravatura e nunca tivemos política afirmativa para corrigir esta dívida histórica. Ainda somos um país muito desigual."
Autodeclaração
Mercadante afirmou que as universidades devem considerar todos os alunos que se autodeclararem pretos, pardos ou indígenas.
“A lei é muito clara, no que se refere à raça. É por meio da autodeclaração. Os alunos das escolas públicas devem se autodeclarar se são pretos, pardos ou indígenas”.
Questionado sobre a possibilidade de algum estudante branco se declarar negro, o ministro disse esperar que “isso não ocorra”, mas se ocorrer, irá avaliar outras medidas.
De acordo com Mercadante, as visitas de funcionários da universidade às casas dos alunos serão apenas para confirmar renda e origem escolar.

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