AE – O PT admitiu que a acusação feita na sexta-feira (03) pelo
procurador-geral da República, Roberto Gurgel, aos réus do processo do
mensalão, teve impacto pela contundência e até pelo pedido de prisão
imediata dos que forem condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Mas, para o partido, o impacto inicial tende a ser diluído ao longo da
semana com as manifestações dos defensores.
“Não se pode negar que o procurador é um dos atores do processo. Era a
vez de ele falar e fazer a acusação. E ele o fez com forte teor
político. Agora chegará a vez de os advogados apresentarem os argumentos
técnicos. E, depois, a vez de os juízes se manifestarem e decidirem. E
está claro que a decisão dos ministros será técnica”, disse o ex-líder
do PT na Câmara e vice-presidente da CPI do Cachoeira, Paulo Teixeira
(SP).
Já o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), chamou de “fraca” e
“inconsistente” a manifestação de Gurgel. “Ele não mostrou prova
nenhuma, politizou o julgamento. Ele foi contaminado pelo movimento
midiático, jogou para a plateia. É um momento triste da história do
Ministério Público, que se apequenou”.
O pedido de prisão imediata dos condenados foi também criticado
. “São
os autos e as provas que definem o que vai ser feito, quando ele pede
isso é porque não tem elementos”, disse Tatto, que protestou ainda
contra a afirmação de Gurgel de que sofreu “ataques grosseiros e
mentirosos”. Para o líder petista, o procurador mentiu. “Ele disse que
foi pressionado, mas não diz quem o pressionou. É mentira. Se algum juiz
ou procurador é pressionado por alguém tem obrigação de denunciar e ele
não fez, então é tudo mentira”.
Para ele, os ministros não deverão ser influenciados pelas fortes
palavras do procurador. “Essa corte é calejada e vai decidir pela lei,
pelos autos, não por palavras”.
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