5 de abril de 2014

Senado quer colocar no TCU um senador denunciado no STF por desvio de verba


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A Praça dos Três Poderes é o pedaço de um Brasil muito distante, uma democracia lá longe, onde a anormalidade é normal. No momento, desenrola-se ali uma emboscada contra o interesse público. Os envolvidos se desobrigaram de maneirar.
Numa das laterais da praça, sob a cuia emborcada que esconde o miolo do Senado, trama-se a indicação do senador Gim Argello (PTB-DF) para o posto de ministro do TCU. Assentado à esquerda, o Planalto aplaude. À direita, o STF estranha.
O Supremo faz cara de espanto porque guarda em seus escaninhos meia dúzia de inquéritos contra Jorge Afonso Argello, vulgo Gim Argello. Num desses inquéritos, a Procuradoria Geral da República já ofereceu inclusive denúncia contra o senador.
Acusa-o de fraudar licitação (pena de 3 a 5 anos de cadeia, mais multa) e desviar verbas públicas à época em que presidiu a Câmara Legisaltiva do Distrito Federal (peculato, 2 a 12 anos de cana, mais multa). Aguarda pelo voto do ministro Gilmar Mendes, relator do processo, desde 12 de setembro de 2013.
Nos outros inquéritos, a lista de crimes atribuídos a Gim Argello faz dele um personagem apto para várias coisas, nada que se pareça com as atribuições de um ministro do TCU: apropriação indébita, corrupção (ativa e passiva), lavagem de dinheiro e crimes contra o patrimônio.
Se o nome de Gim Argello for aprovado pelos seus colegas, ele pode vir a ocupar duas cadeiras simultaneamente: a de ministro do Tribunal de Contas e a de réu no Supremo Tribunal Federal.
À condição de suposto profanador das arcas públicas, o senador agregará a credencial de guardião do erário. Repetindo: Gim Argello está na bica de acumular os papeis de julgador e suspeito, mocinho e bandido.
O apoio do Planalto não é passivo, mas ativo. Para facilitar a busca de Gim Argello por um prontuário novo, os ministros palacianos Aloizio Mercadante e Ricardo Berzoini negociaram com o PTB uma dança de cadeiras.

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