Rio de Janeiro - O tenente da Polícia
Militar Daniel Santos Benitez Lopez foi condenado, no fim da noite de
ontem (6), a 36 anos de prisão pela morte da juíza Patrícia Acioli, em
11 de agosto de 2011. Considerado um dos mentores do assassinato pelo
Ministério Público, Lopez foi o sexto PM declarado culpado pela Justiça e
recebeu a maior pena aplicada até agora aos envolvidos no caso: 30 anos
de reclusão por homicídio triplamente qualificado e seis anos por
formação de quadrilha armada.
A sessão ocorreu na Comarca de Niterói,
cidade em que o crime foi executado. Em sua versão, o policial negou
todas as acusações e afirmou ser vítima dos colegas envolvidos na morte
de Patrícia Acioli. Segundo o tenente, eles o teriam chamado por
telefone para investigar um crime militar em Niterói, e ele não sabia
que participaria de um assassinato.
Antes do julgamento, o policial tentou
simular que passava mal, mas um sargento da Polícia Militar lotado na
carceragem do fórum avisou à juíza ter ouvido do réu que fingiria dores
no peito para bater a cabeça e adiar o julgamento. Lopez foi examinado
pelo médico de plantão e a sessão prosseguiu após os sinais vitais terem
sido considerados estáveis.
Na decisão, foi ressaltada a profissão do
condenado e a tentativa de impedir o combate ao crime organizado: "Vale
de início ressaltar que houve verdadeiro atentado contra a ordem
pública, contra o Estado Democrático de Direito, já que a vítima era
magistrada em atuação na esfera criminal e sua vida foi ceifada
justamente em razão do exercício desse munus público, no combate acirrado e notório à criminalidade, com evidente intuito de calar a voz da Justiça”.
A defesa do policial tentou adiar a
sessão, pedindo que fosse reconsiderado o indeferimento do depoimento de
outro acusado, o policial Sammy Quintanilha, que ainda não foi julgado.
O pedido foi considerado procrastinatório e rejeitado pelo juízo.
Os advogados da defesa pediram também que
fossem retiradas as algemas do acusado, mas o pleito foi negado por
questões de segurança: "Em razão do escasso número de policiais
militares responsáveis pela segurança do local, considerando a
repercussão social do caso e consequente número elevado de pessoas no
plenário, além de ser o acusado, notoriamente, de alta periculosidade,
inclusive acautelado em presídio federal". (Agência Brasil)
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