Prestes
a executar as penas dos principais acusados da Ação Penal 470,
incluindo a do personagem que simboliza todo o processo, o ex-ministro
José Dirceu, Joaquim Barbosa cogita a aposentadoria do Supremo Tribunal
Federal; como a lei dá aos juízes um privilégio, retardando o prazo para
a filiação partidária, ele ainda poderá ser candidato a cargos públicos
em 2014, incluindo a presidência da República; Barbosa, retratado por
Veja como "o menino pobre que mudou o Brasil", já tem convites do PSDB
para o governo de Minas Gerais e para ser vice de Aécio Neves; essa
mudança deixará sempre no ar a dúvida: ele foi juiz no chamado
"mensalão" ou já era um político?
Foi
visível a mudança de humor de Joaquim Barbosa, presidente do Supremo
Tribunal Federal, na sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal.
Enquanto ainda pairava a dúvida sobre se ele poderia ou não executar as
penas dos principais réus da Ação Penal 470, incluindo nomes como José
Dirceu e José Genoino, ele era o Barbosa de sempre. Agressivo e, muitas
vezes, prepotente. Chegou a acusar todo o plenário de fazer "chicana" e,
ao ser contestado por Teori Zavascki, afirmou que "fala o que bem
entende".
No
fim da sessão, quando questionou Carmen Lúcia sobre seu voto e teve a
certeza de que poderá prender, nas próximas horas, os principais réus do
processo, Barbosa tirou um peso das costas e voltou a sorrir. Num
determinado momento da sessão, Marco Aurélio Mello lançou no ar a
suspeita de que um ministro irá se aposentar nos próximos 15 dias,
referindo-se ao próprio Barbosa. O presidente do STF, no entanto, se fez
de desentendido.
No
entanto, essa possibilidade é real e sua saída do STF é dada como quase
certa por vários ministros. Assim, o personagem que ganhou notoriedade
com a ação poderá realizar sua verdadeira ambição: a política. Retratado
numa capa recente de Veja como "o menino pobre que mudou o Brasil",
Joaquim Barbosa tem convites do PSDB para ser candidato ao governo de
Minas Gerais e até vice de Aécio Neves, que já deixou claro estar em
busca de um vice com perfil popular – vindo de fora dos quadros da
política tradicional.
Barbosa,
no entanto, pode concorrer até a presidência da Repúbilca, uma vez que a
lei dá aos juízes um privilégio, retardando o prazo de filiação
partidária. Ou seja, ele tem até março do ano que vem para tomar uma
decisão.
A
possibilidade de se candidatar foi insinuada por ele próprio numa
entrevista recente a jornalistas. "Eu não tenho no momento nenhuma
intenção de me lançar candidato à Presidência da República. Pode ser que
no futuro surja o interesse", disse (Saiba mais).
Essa
eventual troca da toga pela política, no entanto, poderia marcar a
desmoralização completa da Ação Penal 470. Afinal, quando será que
Barbosa terá se transformado num político: após a aposentadoria ou
durante o próprio julgamento?
Esse ponto também foi abordado numa coluna publicada por Marcelo Coelho, hoje, na Folha. Leia abaixo:
Barbosa se aposenta no STF?
No meio das inúmeras discussões, farpas e arrufos da última sessão do STF, nesta terça-feira, uma insinuação estranha apareceu.
Marco
Aurélio Mello fez várias provocações a Joaquim Barbosa, que respondeu
bem mal –chegou a apontar para a conhecida “vaidade” de seu colega. Como
se não houvesse vaidosos de todos os lados.
Pois bem, com seu típico sorriso de quem sabe das coisas, Marco Aurélio pediu a Barbosa que esclarecesse certos rumores.
Tinha ouvido falar que alguém do plenário iria se aposentar dentro de duas semanas.
Barbosa respondeu que não sabia de nada a esse respeito.
Pelo
jeito da conversa, dá para supor que Marco Aurélio estava anunciando
que o próprio Barbosa deve se aposentar em duas semanas.
Faria sentido, já que terminado o mensalão o atual presidente do STF pode considerar cumprida a sua missão histórica.
Faz
sentido também pensando no calendário eleitoral. Dando essa dica, Marco
Aurélio estaria insinuando que Barbosa tem pressa para se preparar para
alguma candidatura. No mínimo, fica a ideia de que Barbosa está atuando
menos como juiz e mais como político.
Os
candidatos precisam estar filiados a partidos até dia 5 de outubro. Daí
o prazo de “duas semanas” para Barbosa se aposentar, conforme insinuado
por Marco Aurélio. (Brasil247)
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