Lembra
do PT que no passado denunciava a interferência deslavada do poder
econômico no resultado das eleições brasileiras? E que, por isso, quando
convocado a decidir seu destino com frequência se exauria em discussões
intermináveis?
Lembra
do PT sustentado por dinheiro descontado nos salários dos seus
militantes? E do que adotou a eleição direta para a escolha dos seus
dirigentes?
Então esqueça!
O
mensalão foi o desfecho natural da escolha feita pelo PT no início dos
anos 90 quando decidiu deixar de ser um partido ideológico acima de tudo
para se transformar em um partido de massas.
Depois
de ter perdido as eleições presidenciais de 1989 e de 1994, Lula chamou
José Dirceu para uma conversa e disse o que ele esperava ouvir: vamos
usar os meios que os demais partidos usam para chegar ao poder. Pois
usaram e abusaram.
Faltou-lhes,
porém, competência para se manter no poder sem se desfigurar. Quem viu
Lula subindo a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2002 jamais
imaginou ver José Dirceu subir na última sexta-feira os degraus do
prédio da Polícia Federal, em São Paulo, para receber ordem de prisão.
Pouco
antes o mesmo percurso havia sido feito por José Genoíno, ex-presidente
do PT. No dia seguinte foi a vez de Delúbio Soares, ex-tesoureiro, se
entregar em Brasília.
Resta
ao PT insistir com o discurso nada convincente de um partido político
perseguido pelas elites e vítima de uma conspiração midiática.
As elites nunca enriqueceram tanto como no governo Lula. Detestam o de Dilma que não as trata com tanto mimo.
Um
Supremo Tribunal Federal com folgada maioria de ministros nomeada por
Lula e Dilma mandou para o xilindró alguns ícones de PT. Lula escapou
porque não sabia o que se passava ao seu lado.
Ficará
para a História que o caso do mensalão, obra de um bando de amadores,
começou no primeiro governo Lula para terminar no primeiro governo
Dilma. Se haverá um segundo governo Dilma ainda é cedo para dizer.
Nada
teve de inocente a mensagem postada por Dilma no twitter a poucas horas
do ministro Joaquim Barbosa assinar ordens de prisão contra petistas
coroados. Ela não falou em mensalão. E precisava?
Dilma
escreveu: “Hoje comemoramos o 124º aniversário da Proclamação da
República. A origem da palavra República nos ensina muito. A palavra
República vem do latim e significa “coisa pública”. Ser a presidente da
República significa exatamente zelar e proteger a “coisa pública”,
cuidar do bem comum, prevenir e combater a corrupção. Significa governar
para todos, num governo do povo, pelo povo e para o povo”.
Dirceu
deve ter ficado furioso quando leu a mensagem de Dilma. Ele não a
perdoa por tê-lo tratado sempre com frieza, evitado ser fotografada ao
seu lado, e se recusado a pressionar ministros do STF para que votassem
pela absolvição dos petistas mensaleiros.
Foi
a maneira que Dilma encontrou de passar a ideia de que nada teve a ver
com o escândalo. E que o resultado do julgamento não lhe dizia respeito.
A
condenação dos mensaleiros há mais de um ano não afetou sua
popularidade. A prisão, se afetar, será a favor. Capitalizar a prisão
dos culpados ela não poderá fazer sob pena de empurrar o PT de vez para o
colo da candidatura de Lula a presidente.
Mas
beneficiar-se não depende de nenhuma iniciativa sua. Basta manter o
comportamento discreto que sustentou até aqui. E lembrar, vez por outra,
que é sua tarefa o combate à corrupção.
Dilma está bem na foto. (PE NOTÍCIAS)
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