Veja
como é a história: Lula já confraternizou com Collor e justificou o
impeachment como mero joguinho político, o efêmero PRN nem existe mais
--na prática e na memória-- e o PT vive o suplício de ver dois de seus
ícones presos.
O
enredo é novelesco, com a lenta inversão de papéis, o mensalão, o
julgamento, até a coincidência de datas --as prisões saíram no
aniversário da Proclamação da República.
Destaque
para os protagonistas. O réu mais ilustre é José Dirceu, ídolo de uma
geração: líder estudantil, revolucionário de romance, presidente que
conduziu o PT da utopia para o pragmatismo e homem forte do primeiro
governo de esquerda.
A
condenação mais doída é a de José Genoino, o sobrevivente do Araguaia, a
voz da ponderação no PT e uma referência de congressista: leal, hábil e
eficaz.
Ambos
em simbiose com banqueiros, empresários, publicitários espertalhões e
líderes de partidos historicamente adversários do PT.
Joaquim
Barbosa, levado por Lula, foi o homem certo na hora certa da história.
Negro e da maioria pobre que lota as cadeias, foi a estrela do
julgamento que impõe penas e prisões para os da minoria rica, até então
impune.
Cada
peça e cada detalhe se encaixam num todo surpreendente. Nenhuma ficção
poderia superar essa realidade, que vira uma página no país e abre outra
cheia de expectativas e também de dúvidas.
Quando
o PT entrou no vácuo do PRN, Dirceu aderiu aos métodos de Collor, a
vitória subiu à cabeça de Lula e os fins --fossem quais fossem--
justificaram todos os meios, tudo poderia acontecer. E aconteceu.
De Collor a Dirceu, uma evolução: só a punição política já não basta. (* Folha de S.Paulo/Magno Martins)
Nenhum comentário:
Postar um comentário