11 de julho de 2012

É um erro atirar Dilma na eleição municipal

Em entrevista à Folha de São Paulo de ontem, o governador Eduardo Campos censurou a cúpula nacional do PT por estar querendo envolver Dilma nas eleições municipais. É um equívoco a intromissão da presidente da República em questões de ordem paroquial, disse ele, quando a prioridade do governo deve ser a gestão da crise, que já afeta fortemente a indústria brasileira, cuja produção está caindo. Sob esse aspecto, ele crê que o PT atrapalha mais o governo federal do que o PSB. O PSB tem sido parceiro do PT em torno de temas de interesse do povo, diz o governador de Pernambuco, desde a campanha presidencial de 1989. Naquela época, lembrou, Arraes estava à frente do Governo do Estado após ter cumprido 14 anos de exílio. Pois bem, setores “xiitas” do PT foram para a porta do Palácio do Campo das Princesas cobrar reajuste salarial para os servidores públicos estaduaiscom esta bandeira “Arraes/ caduco/ Pinochet de Pernambuco”. Isso o magoou até à morte. No entanto, não o impediu de, em outubro daquele mesmo ano, subir nos palanques do PT para defender a eleição de Lula para presidente da República. O seu partido, à época, tinha um candidato próprio, que era Ulysses Guimarães. Mas Arraes não tinha simpatia por ele, que era radical na retórica e conservador nas questões econômicas. O governador tem o máximo de interesse em preservar sua relação com o PT, Lula e Dilma, mas acha que já gente no partido querendo intrigá-los. Duas óticas - A renúncia de Maurício Rands (PT) ao mandato de deputado será publicada hoje no Diário Oficial da Câmara Federal. Ela foi encarada pela bancada petista sob duas óticas: “coragem” e “covardia”. Amigos acham que ele foi corajoso e, os inimigos, que foi covarde. O substituto - Edu­ardo Campos já nomeou para o lugar da Rands na Secretaria do Governo o secretário-adjunto Lauro Gusmão, que é filiado ao PT e casado com uma prima do antecessor. O novo secretário não tem a bagagem política e jurídica de Rands, mas também é do ramo. No prelo - Chama-se “Memórias - As virtudes do tempo” o livro que Roberto Magalhães (DEM) acaba de escrever. Os originais já foram entregues à editora mas a data do lançamento ainda está em aberto. O autor contará no livro uma série de fatos que testemunhou como secretário de estado, vice-governador, governador, prefeito do Recife e deputado federal. A adesão - João da Costa só vai formalizar o seu apoio a Humberto Costa (PT) após receber um apelo neste sentido do ex-presidente Lula e da presidente Dilma. Ambos já o convocaram para uma conversa, que só vai ocorrer após o dia 17. O curioso é que em 1 ano, 6 meses e 9 dias de mandato, a presidente da República nunca concedeu uma audiência ao prefeito do Recife. A aliança - Serra Ta­lh­a­da verá nessas eleições aquilo que parecia inimaginá­vel três meses atrás: Ino­cêncio Oliveira (PR) e Au­gusto César (PTB) apo­iando o mesmo candidato para prefeito: Sebastião Oliveira (PR). O vice, indica­do por Augusto, é o médi­co Fonseca Carvalho (PTB). A divisão - Mendonça Filho (DEM) divide o seu tempo com a campanha do Recife e a de Belo Jardim, cujo candidato à sucessão do prefeito Marco Coca Coca (DEM) é sua irmã, Andréa, ex-secretária de Cultura e Paisagismo, que tem como vice o vereador Wilson Mergulhão (DEM). Habeas Pinho - Antes de ser político na PB, o ex-governador Ronaldo Cunha Lima (PSDB) foi poeta. Todo paraibano que se preza sabe de cor e salteado o poema sua autoria, “Habeas Pinho”, que conta a história de um habeas corpus que ele impetrou, em Campina Grande, em favor de um seresteiro que fora preso. O juiz Amaro Lira César mandou soltar o preso e o seu violão. O erro - Humberto Costa (PT) está cometendo um erro de cálculo ao tentar “nacionalizar” a eleição para prefeito do Recife, colocando-se como o “único” candidato de Lula e Dilma´. É que Dilma obteve no Recife, em 2010, no 1º turno, apenas 42% dos votos válidos, ante 76% do governador Eduardo Campos.

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